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Entrevista Paradoxo BR

Deputado Luiz Philippe aponta 5 efeitos mortais da Reforma Tributária na economia

Deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança detalhou ao Paradoxo BR alguns dos principais efeitos nocivos que a PEC 45/2019 irá causar na economia brasileira

Foto de Claudio DiraniPor Claudio Dirani··3 min de leitura
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Deputado — Imagem recuperada do acervo do site original (Wayback Machine).

Deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança detalhou ao Paradoxo BR alguns dos principais efeitos nocivos que a PEC 45/2019 irá causar na economia brasileira

O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) é uma das raras vozes que realmente têm se destacado no parlamento para combater o texto da PEC 45/2019 – a proposta defendida pelo governo Lula e aliados para a reforma do sistema tributário brasileiro.

Autor da PEC 7/2020 – que promete, de fato, simplificar e cortar impostos – o parlamentar apresentou ao Paradoxo BR alguns exemplos de como a proposta de emenda à constituição aprovada na semana passada pelo Senado poderá ser nociva à economia brasileira quando passar a vigorar. Antes disso, vale a lembrança, a PEC 45/2019 terá de ser revista pela Câmara em razão das emendas ao texto incluídas sob a relatoria de Eduardo Braga (MDB-AM).

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1-Serviços sofrerão com “Efeito Cascata”

Segundo Luiz Philippe, o setor é o que deve ser mais prejudicado, em razão ao acúmulo de impostos que as atividades do setor devem sofrer.

“As grandes indústrias estão defendendo a reforma, pois trabalham com grandes cadeias de fornecedores. Essas empresas conseguirão recuperar créditos ao longo da etapa de proteção. Não é o que acontecerá com os serviços. Em alguns casos, a alíquota não ficará entre 25% e 30%, mas sim em 300%. Isso porque haverá acúmulo da cobrança de impostos. Geralmente esses prestadores pagam advogados, contadores, têm gastos com transportes, entre outros”, esclarece o deputado.

2 – Exceções devem levar à alíquota-base ao 1º lugar do ranking mundial

Luiz Philippe explica que inúmeros setores da economia obtiveram regimes especiais (exceções), em virtude de o modelo da reforma ser pior do que o atual. Com isso, os benefícios concedidos no Senado deverão fazer da alíquota-base do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) ser o maior do mundo.

“Para o governo arrecadar e fechar a conta de R$ 2.2 trilhões, a alíquota-base deverá subir. A cada isenção que entra na reforma, ela vai subindo. E precisará assim para tapar o rombo. Em 2024, será de R$ 2,5 trilhões, e de R$ 2,7 trilhões em 2025”, explica.

3- Reforma irá gerar mais inflação

As inúmeras benesses e concessões feitas pelo Senado irão beneficiar alguns setores, mas devem prejudicar a economia em geral. Com isso, o deputado alerta para a escalada da inflação. Segundo Luiz Philippe de Orleans e Bragança, o custo de vida irá aumentar porque a proposta de reforma irá penalizar todas as contas de consumo.

“As regras do IVA incidem sobre consumo. Toda máquina é financiada pelo consumo. Como o governo só aumenta seus gastos, precisará automaticamente aumentar impostos. Com isso, a reforma terá efeito inflacionário, porque impactará esse consumo, gerando aumento de preços”, analisa.

4- Reforma não deixará preços mais baratos

A defesa de parte da mídia tradicional à reforma tributária usa como premissa de que o brasileiro irá pagar mais barato pelo que consome. 

Esta tese é derrubada por Luiz Philippe com argumentos, tomando como base o que foi explicado no item 3.

“Além dos serviços, o comércio também sairá muito prejudicado pela reforma. Isso porque o efeito cascata ainda existirá depois da promulgação da PEC. Com isso, haverá zero barateamento de preços para a população. Não caia nessa mentira! O acúmulo de impostos irá continuar como hoje – e pior”, aponta Luiz Philippe.

5- Congresso perderá o poder de decisão

A entrada de cerca de R$ 20 bilhões em emendas parlamentares deixou deputados e senadores do governo e centrão praticamente “cegos”, levando à aprovação do texto da reforma sem um aprofundamento da discussão sobre os impactos na economia.  Os recursos, entretanto, devem ser cobrados no futuro, pois o texto da PEC 45/2019 irá tirar poder de decisão do Legislativo sobre o destino dos impostos.

“Com a criação do Conselho Federativo, estados e municípios ficarão com o pires na mão, e não serão mais senhores de seu destino quanto a distribuição de recursos dos impostos”, aponta Luiz Philippe.

“O mesmo irá acontecer com os deputados. Com a criação do Conselho, do ponto de vista federal, os deputados não terão mais poder. Ficará para essa autarquia não eleita, que terá o comando tributário total. Ou seja: o parlamento perderá poder na discussão de orçamento, pois a política tributária está atrelada a isso”, conclui

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Claudio Dirani

Claudio D. Dirani é jornalista, autor e relações públicas. Graduado em Comunicação Social pela universidade FMU-FIAM-FAAM, tem mais de 25 anos de atuação no mercado. Desde 1997, acumula passagens por veículos editoriais diversos, como Anamaria Lattes Comunicações, revista Placar, rádio Alpha FM, revista Esmeril e Jornal Brasil Sem Medo. Especialista em política e cultura pop, já entrevistou nomes como Paul McCartney, Giorgio Moroder e Oasis.

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