sexta-feira, 6 de novembro de 2026SobreYouTube
Entrevista Paradoxo BR

“Nós só queremos que ele receba um tratamento digno e que responda em liberdade”, apela esposa do Coronel Naime

Em entrevista exclusiva ao Paradoxo BR, a esposa do coronel. Jorge Eduardo Naime tenta sensibilizar as autoridades para que seus problemas graves de saúde

Foto de Claudio DiraniPor Claudio Dirani··5 min de leitura
Naime
Naime — Imagem recuperada do acervo do site original (Wayback Machine).

Em entrevista exclusiva ao Paradoxo BR, a esposa do coronel. Jorge Eduardo Naime tenta sensibilizar as autoridades para que seus problemas graves de saúde sejam tratados “de forma digna”

No último domingo (26), os brasileiros retornaram às ruas para protestar contra a censura – e mais importante – contra os atos inconstitucionais cometidos pelo poder judiciário que levaram à morte o empresário Cleriston Pereira da Cunha na semana passada.

Outro alvo do sistema, e que sobrevive às duras penas, é o ex-comandante de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal, coronel Jorge Eduardo Naime. Em prisão preventiva desde fevereiro – cerca de 30 dias após os ataques do 8 de Janeiro e com enfermidades comprovadas – Naime alega nem mesmo saber o motivo de sua detenção no complexo penitenciário da Papuda. 

Em junho, o  prisioneiro político se apresentou à CPMI do 8 de Janeiro, no Senado, onde alegou não saber a razão de já estar há tanto tempo encarcerado.

 “Eu já estou há 5 meses preso (sic) sem que eu realmente saiba por que eu estou preso. A situação do dia 8, ela começa a se resolver e os prédios públicos começam a ser desocupados exatamente quando eu chego e começo a comandar as tropas da polícia militar”, explicou Naime em depoimento.

Mais cinco meses se passaram desde a fala do ex-comandante da PM e a situação pouco mudou. Pior. Segundo Mariana Adorno Naime, o Supremo Tribunal Federal ordenou o bloqueio dos salários e gratificações do marido, além de ignorar os problemas de saúde que levaram o policial a sofrer desmaios na cela.

Em entrevista exclusiva concedida ao Paradoxo BR, Mariana explica como Jorge Eduardo Naime tem enfrentado esse longo período de sofrimento no cárcere e faz um apelo: “Nós queremos que ele seja libertado para receber um tratamento digno e responder pelas acusações em liberdade”  

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Entrevista com Mariana A. Naime sobre o estado de saúde de seu marido, o coronel Jorge Eduardo Naime

Paradoxo BR – A sra. poderia explicar como era a rotina do coronel Naime antes dos ataques de 8 de Janeiro? Ele já sofria de problemas de saúde nessa época?

Mariana Adorno Naime – O Naime foi chefe do Departamento Operacional da Polícia Militar do Distrito Federal por quase dois anos. Nesse período, ele já sofria um estresse enorme. Sem hora para dormir, comer…não tinha final de semana nem feriado. Então, o nível de estresse era muito acima do normal.

Mais ou menos entre novembro e dezembro de 2022, ele já estava muito mal de saúde. Não dormia sem medicação, tinha diabetes e era hipertenso. Por isso, eu e nossos familiares já tentávamos que ele entrasse com pedido de férias imediato para iniciar seus tratamentos. 

Tudo já estava agendado para começar em dezembro, mas o comandante-geral não autorizou as férias porque ele é um dos mais experientes no quesito de grandes eventos. 

Como tinha a questão da posse presidencial (em janeiro), o clima era tenso. Então, eles pediram que ele ficasse até o fim desses eventos, após reunião com o Alto Comando da PM. Assim, ele adiou as férias para janeiro e assumiu as grandes operações que aconteceram no ano passado.

Paradoxo BR –  Mesmo com o pedido de licença, seu marido voltou a atuar pela PM no fatídico 8 de Janeiro. No depoimento feito à CPMI, em junho, ele mostrou inclusive um ferimento contraído na operação de campo.

Mariana Adorno Naime – Após a posse presidencial em 1º de janeiro, ele entrou com um pedido de licença, já no dia 3. Ele tinha direito a 5 dias e logo em seguida iniciaria o período de férias que terminaria em 14 de fevereiro. Existem documentos da PM do Distrito Federal comprovando esse afastamento.

Tudo foi resolvido, e ele se afastou para fazer os tratamentos. Porém, no dia 8, quando ocorreram os incidentes, ele foi surpreendido com uma ligação depois das 17h pedindo que ele assumisse algumas tropas especializadas, no momento em que os prédios federais já tinham sido invadidos.

Então, mesmo licenciado, ele partiu para o local, atuou, foi ferido, resolveu a situação antes mesmo da intervenção. Em poucos minutos de ação, ele já havia restabelecido a ordem pública na Esplanada dos Ministérios.

Paradoxo BR – O motivo alegado pela justiça para a prisão do coronel Naime é uma suposta omissão na atuação para evitar os ataques contra os prédios dos Três Poderes. Ainda assim, ele comprovou à CPMI que atendeu ao chamado. Por que ele continua preso?

Mariana Adorno Naime – Pergunta difícil de ser respondida. Desde o dia 8 de Janeiro, o clima na PM ficou muito tenso. Logo em seguida, veio a prisão do coronel. Fabio (Augusto). Como eles eram da mesma turma, o Naime ficou extremamente abatido. Ele não concordou com a prisão, pois  sabia que a falha não tinha sido apenas da PM-DF. Ele achou que poderia ser melhor apurado.

Então, ele começou a buscar alternativas para ajudar o amigo preso. Só que, em seguida, veio o mandado de busca e apreensão e sua eventual prisão em 7 de fevereiro. A partir dessa data todos os tratamentos iniciados foram interrompidos, inclusive com o endocrinologista e o cardiologista.

Paradoxo BR – Após quase 9 meses encarcerado, o coronel Naime sofreu desmaios e outros problemas de saúde. Como isso tem sido tratado?

Mariana Adorno Naime – Como falei, toda a situação após o 8 de janeiro o submeteu a mais estresse. Ele tem tentado se manter firme, falar palavras positivas para fortalecer os familiares. Nós temos 6 filhos, só um é maior de idade. Mas chegou um certo momento que ele não conseguia mais reagir. O corpo começou a falhar. Em julho ele teve o primeiro “apagão” na cela, e um armário caiu em cima dele. Suspeitaram de envenenamento. Eu disse que acredito na instituição como um todo, que ele esteja seguro agora. Acredito que o desmaio  tenha ocorrido pela saúde (precária) dele, mas as causas não foram investigadas. 

Paradoxo BR – Depois do primeiro desmaio, ele começou a ser melhor observado pelos médicos?

Mariana Adorno Naime – Na verdade, ele voltou a desmaiar novamente duas semanas depois. Levaram para o hospital, mas o tratamento é muito imediatista. Não houve uma investigação sobre o desmaio. Tratam apenas a consequência.

Isso foi me deixando desesperada, principalmente após a morte do Cleriston na semana passada. Nós vimos que o laudo dele era bem semelhante ao do Naime – com hipertensão e diabetes. Eu pergunto: quem garante que o Naime não sofre desses mesmos sintomas?. Ele tem dores de cabeças recorrentes com vômitos e dormência nos braços. Nós estamos apenas pedindo socorro para que a liberdade dele seja autorizada e que ele receba um tratamento digno e responda em liberdade.

FIM

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Foto de Claudio Dirani

Claudio Dirani

Claudio D. Dirani é jornalista, autor e relações públicas. Graduado em Comunicação Social pela universidade FMU-FIAM-FAAM, tem mais de 25 anos de atuação no mercado. Desde 1997, acumula passagens por veículos editoriais diversos, como Anamaria Lattes Comunicações, revista Placar, rádio Alpha FM, revista Esmeril e Jornal Brasil Sem Medo. Especialista em política e cultura pop, já entrevistou nomes como Paul McCartney, Giorgio Moroder e Oasis.

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