Os segredos por trás das seitas: de Hassan-i Sabba até às doutrinas digitais, do “pastor comedor de rã”
Hassan-i Sabba, Charles Manson, Jim Jones... descubra os segredos por trás das seitas que têm avançado para dominar corações e mentes na era digital
Hassan-i Sabba, Charles Manson, Jim Jones… descubra os segredos por trás das seitas que têm avançado para dominar corações e mentes na era digital
Durante os sombrios dias do século 11, emergiu a figura enigmática de Hassan-i Sabba, tecendo uma tapeçaria de ilusões que moldou os primeiros “terroristas” da história. Sua habilidade em manipular mentes fragilizadas, convencendo-as de sua divindade, estabeleceu um padrão que ecoaria por séculos até os dias de hoje.
O fascínio por um escape das agruras da realidade não apenas perdurou, mas também evoluiu para uma trilha sinuosa, culminando nas tragédias lideradas por Jim Jones e Charles Manson. Assim como Manson, Hassan-i Sabba utilizava drogas para causar alucinações e se colocar como uma figura divina; o haxixe tem esse nome em homenagem a Hassan.
Ele utilizava, em momentos pontuais, drogava os adolescentes e os levava para um cômodo de seu castelo com várias mulheres nuas, frutas, fontes de água e uma voz dizendo que aquilo os esperava depois que cumprissem sua missão. Os jovens aguardavam ansiosamente por suas missões para finalmente reviverem o momento que haviam vivenciado.
Era uma honra participar da “ordem dos assassinos”, onde eles matavam pessoas ilustres e aguardavam pacificamente até serem mortos por seus seguranças. Em algum momento, isso evoluiu para o terrorismo moderno que conhecemos hoje.
Seitas pop: a influência de Charles Manson
Por volta de 1969, a Família Manson, tão emblemática, entra em cena com o famoso “helter skelter”. Na ensolarada Califórnia, Charles Manson tinha o dom de atrair jovens aparentemente virtuosos, com notas escolares brilhantes e até um toque de religiosidade, integrando-os em uma seita centrada em sua figura quase divina.
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Desse pano de fundo sombrio, emerge a origem da notória “Família Manson”. Nas sombras do Rancho Spahn, rituais obscuros e orgias embebidas em substâncias entorpecentes marcaram apenas o início de uma crescente série de atos violentos.
Imerso em suas convicções, Manson decifrava no “Álbum Branco” dos Beatles mensagens enigmáticas, meticulosamente arquitetadas para guiar seus passos em direção a um iminente conflito racial, o qual cravou de maneira permanente o endereço 10050, Cielo Drive em Los Angeles com os assassinatos de Sharon Tate e outras quatro pessoas, obra sinistra da “Família Manson”. A aura carismática de Manson cunhou a ilusão de um novo messias, o escolhido, até mesmo um renascimento de Jesus Cristo.
Esses líderes carismáticos, cada um à sua maneira, deram forma a seitas apocalípticas, criando um microcosmo intrigante da complexidade humana. Profundamente entrelaçadas nas aspirações e medos individuais, essas seitas ofereceram uma promessa de salvação em meio à incerteza.
E, à medida que os séculos avançavam, os líderes carismáticos mantiveram seu papel central, autoproclamando-se como intermediários diretos entre o divino e os seguidores, sustentando a ilusão de uma verdade única e incontestável.
(…)
O paradoxo persistente das seitas reside na sua capacidade de perseverar, apesar de previsões cataclísmicas desmentidas pelo tempo. Estranhamente, essas falhas muitas vezes fortalecem a fé dos devotos, pois as seitas têm se aprimorado na exploração das vulnerabilidades psicológicas que unem os indivíduos e moldam a coesão grupal.
A psicologia social desempenha um papel fundamental, empregando técnicas de persuasão e condicionamento que reforçam as crenças enquanto desencorajam questionamentos.
No entanto, à medida que o mundo mergulha em uma era digital, as seitas expandem seus horizontes para um novo território: o virtual. A tecnologia permite que líderes manipuladores alcancem e engajem seguidores de qualquer parte do mundo, transcendendo as barreiras físicas.
As táticas de isolamento e doutrinação encontram uma nova forma nas comunidades online, onde as narrativas distorcidas são constantemente reforçadas, construindo um universo paralelo de percepção.
Temos como exemplo a seita dos sósias, que criou toda uma estrutura Psicosocial envolvendo influenciadores digitais e até políticos para validar o que é “profetizado” pelo pastor, uma espécie de esquema Ponzi de desinformação – e não estou prostituindo a palavra “desinformação”, isso de fato é uma desinformação aos moldes soviéticos.
Essa evolução também traz consigo um arsenal mais refinado de manipulação. Uma teia dê perfis ligados a seita que se aproveitam do Algoritmos de recomendação e estratégias de desinformação são usados para atrair e prender mentes impressionáveis, levando-as a abraçar crenças delirantes como a que afirma que lula está morto e até os sósias e clones começaram a morrer. Parece um pouco absurdo, mas ele tem uma audiência diária de mais de 60 mil espectadores ao vivo.
A busca por significado e pertencimento assume uma nova dimensão na era virtual, onde a linha entre a realidade e a fantasia se torna turva.
Ao refletirmos sobre a história das seitas desde os primórdios até o presente, somos confrontados com a constante vulnerabilidade da condição humana diante da influência manipuladora. Devemos evoluir junto com a tecnologia caso contrário seremos escravos de nossa própria ignorância.
Fortalecer nosso pensamento crítico com leituras clássicas como Santo Tomás de Aquino que mostra com muita propriedade que a razão não está em desacordo com a fé; muito pelo contrário, as duas caminham juntas, isso nos faz ter uma melhor compreensão das sutilezas psicológicas subjacentes. Ao fazê-lo, podemos resistir às artimanhas das seitas contemporâneas, físicas ou virtuais, e manter uma conexão inabalável com a realidade, protegendo das ilusões que tentam nos envolver.
Para concluir, gostaria de recomendar a leitura de um artigo escrito por alguém cujo alicerce inclui as filosofias milenares de Platão, Sócrates, Aristóteles, Santo Agostinho, São Tomás e outras figuras que moldaram a sociedade ocidental, seus valores e costumes, pelos quais lutamos para defender. E alguns estão dispostos a tudo para exterminar. Então não deixem de ler o artigo de Bruna Torlay na revista Esmeril.
Link: BRUNA TORLAY丨O universo das seitas na era da política como entretenimento

