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O segredo por trás das PSYOP – as Operações Psicológicas do Exército Brasileiro

O segredo por trás do BBOP -Batalhão Brasileiro de Operações Psicológicas - um dos órgãos mais polêmicos das Forças Armadas

Foto de Gabriel ViaccavaPor Gabriel Viaccava··3 min de leitura
Segredos do BBOP
Segredos do BBOP — Imagem recuperada do acervo do site original (Wayback Machine).
O segredo do  BBOP -Batalhão Brasileiro de Operações Psicológicas – um dos órgãos mais polêmicos das Forças Armadas   “Conquiste corações e mentes e almas te seguirão”. O lema soa intrigante e misterioso. Mas a frase, de fato, resume com perfeição como é a capacidade do Batalhão Brasileiro de Operações Psicológicas (BBOP) – um dos órgãos mais controversos dentro das Forças Armadas do Brasil. Todo esse potencial distante dos olhos da população e da opinião pública estimula, por que não, muita curiosidade. Estariam as tropas psicológicas por trás de armadilhas e prisões do 8 de janeiro? Idealizada em 2002 – e inaugurada em 2005 – a unidade especializada em operações usa técnicas de psicologia, propaganda e desinformação para conquistar o apoio popular e alcançar objetivos estratégicos. É como se essa divisão militar combinasse as habilidades das agências de inteligência às tropas. Nos EUA, por exemplo, a guerra psicológica começou a ganhar espaço durante os confrontos no Vietnã com o PSYOP (Psychological Operations). Embora seja relativamente recente, sabe-se que as técnicas de dissuasão psicológica têm sido usadas desde 1864, na Guerra da Tríplice Aliança. Na ocasião, Duque de Caxias usou técnicas de propaganda para levar os inimigos ao erro.

A gama de ações do Batalhão Brasileiro de Operações Psicológicas é vasta – o que permite atuar em uma diversidade de segmentos sociais. Justamente por isso, o BBOP conta com a destreza de militares especializados em múltiplas áreas, como psicologia, antropologia, sociologia, além de ministrar diversos cursos de operações psicológicas.

O Segredo do BBOP

O BBOP atua em áreas amplas e diversas – seja no Brasil ou no exterior – dependendo do caráter da missão. Entre a gama de funções acumulada, esse “batalhão secreto” pode atuar para controlar multidões, conduzir missões de caráter político e social, além de criar narrativas que deem suporte às suas ações.

Em 2014, no auge dos protestos favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff, o BBOP do Exército entrou em ação em uma de suas missões mais “misteriosas”. Segundo fontes na caserna, o grupo utilizou técnicas de manipulação psicológica para influenciar os líderes dos protestos e manter o movimento sob controle. Quase uma década depois, pouco se sabe sobre as técnicas usadas por essa corporação. O que se sabe é que em 2014 essas atividades do batalhão passaram a ser reguladas pelo Sistema de Operações de Apoio à Informação.

Ainda assim, a falta de transparência das ações do BBOP gera controvérsias, principalmente no quesito da guerra psicológica. Já em setembro de 2016, a mídia nacional que se mostrou conivente com os ataques contra o presidente em exercício, Michel Temer, se mostrou horrorizada quando o Exército Brasileiro confirmou o uso de inteligência no monitoramento de protestos.

“A atividade de inteligência tem respaldo legal. O Exército tem sido empregado frequentemente nas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). A utilização permanente da inteligência tem assegurado a eficácia nas operações, o emprego proporcional da Força e minimizar os efeitos colaterais na população”, respondeu as Forças Armadas Brasileiras por meio de comunicado.
O potencial das PSYOPS estimula muita curiosidade. Estariam as tropas psicológicas por trás das armadilhas e prisões do 8 de janeiro?

“A alma” das operações do BBOP

O Batalhão Brasileiro de Operações Psicológicas é famoso por atuar de forma totalmente secreta. Além disso, poucos oficiais dentro do Exército têm conhecimento de suas missões. O segredo é alma. A unidade do BBOP é capaz de criar e disseminar narrativas que afetam a opinião pública, além de produzir material de propaganda antiguerrilha e outras formas de manipulação multimídia. Tudo isso de forma eficiente e imprevisível. Em uma rápida pesquisa – até mesmo no site de arquivos digitais da web Archive.org – nota-se que dados, entrevistas e informações ligadas às ações do BBOP foram excluídas – até mesmo de matérias jornalísticas reportadas por sites como G1 e BBC. Na era de WikiLeaks, Vaza-Jato e outras operações de hackeamento, manter os segredos da guerra psicológica militar brasileira bem guardados já é, por si só, um marco. Gabriel Viaccava
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Foto de Gabriel Viaccava

Gabriel Viaccava

Gabriel Viaccava já atuou nos ramos da indústria metalúrgica e Eletro-eletrônica. Atualmente é pecuarista e empreendedor no ramo de comunicação e jornalismo. Apaixonado por história, cultura e geopolítica, Viaccava busca - de forma incansável - se aperfeiçoar pelos temas que domina e estuda.

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