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Redação PARADOXO BR ·
Ministro Alexandre de Moraes ataca a direita e "viola lei", diz advogada. Fala aconteceu na Fundação FHC, em São Paulo.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes voltou a se manifestar em público a respeito da política brasileira e mundial.
Desta vez, o membro da suprema corte expressou opiniões contundentes sobre o papel da direita na sociedade global , culpando a ação das “milícias digitais” pelos eventos do 8 de Janeiro, em Brasília.
Segundo especialistas em direito, o pronunciamento de Moraes teria violado o artigo 36 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional.
O manifesto de Moraes aconteceu em evento realizado nesta sexta-feira (31) na Fundação Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo, um dia após sua decisão de arquivar a petição do senador Rogério Marinho (PL-RN) e de outros parlamentares, solicitando investigação do ‘presidente’ Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na quinta-feira passada, Lula sugeriu uma possível “armação” em ações da Polícia Federal no caso do PCC contra o senador Sérgio Moro (União-PR).
“O Brasil sofreu esse ataque massivo a democracia, não foi uma questão brasileira só, nós tivemos no mundo todo uma captura, pela extrema-direita, das redes sociais com a finalidade ao ataque a democracia, a quebra das regras democráticas”, acusou Alexandre de Moraes.
“De forma absurdamente competente, a extrema-direita primeiro diagnosticou e depois capturou todas as redes sociais”, diagnosticou, mas sem apresentar provas.
O ministro, após citar a culpabilidade das redes sociais em atos antidemocráticos, ainda apontou que os candidatos da extrema-direita que defendem a liberdade de expressão seriam ditadores em potencial.
“Hoje a desinformação tem o mesmo valor, às vezes até maior para determinadas bolhas, do que a informação. Se pegarmos as audiências dos grandes jornais, essa audiência é menor, o alcance é menor do que os grandes influenciadores”, analisou Moraes.
“Então foi o ataque direto, tirar a mídia. Basta ver que todos, todos os pretensos candidatos a ditador criticam a liberdade da imprensa e a imprensa”, acusou o ministro, sem citar nomes.
Na visão da advogada especialista em direito civil, dra. Géssica Almeida, as falas do ministro Alexandre de Moraes não poderiam ter ocorrido. Ela cita a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN) como freio para esse tipo de manifestação de membros das altas cortes do Judiciário.
“Não deveria ser permitido”, aponta a advogada ao Paradoxo BR.
“A LOMAN veda esse tipo de declaração. O artigo 36 é bem claro sobre esse tipo de posicionamento”, completa a dra. Géssica Almeida.
No trecho da lei citado pela advogada, é vedado ao magistrado, pelo artigo III, que o ministro se manifeste, “por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério”.
O advogado e doutor em Direito Constitucional, Marco Antonio Costa corrobora com a colega sobre a matéria. “É uma situação completamente esdrúxula. Difícil de ser combatida, pois o STF é a esfera mais alta do Judiciário”, declarou o advogado ao Paradoxo BR.
“Entretanto, ele (Alexandre de Moraes) não poderia comentar fora dos autos, questões que envolvem inquéritos os quais ele é relator”, completa Costa.
A participação de Moraes no evento da Fundação Fernando Henrique Cardoso teve grande alcance popular, sendo divulgado por veículos de alcance nacional e internacional.
Alexandre de Moraes, como relator dos inquéritos das Fake News e Atos Antidemocráticos, teria se manifestado suas opiniões sobre processos pendentes de julgamento fora dos autos, o que não seria permitido por lei.
Em janeiro deste ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a inclusão de representação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no Inquérito 4.921, que apura a instigação e autoria intelectual dos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro (Bolsonaro não se encontrava no Brasil no dia em que as sedes dos três poderes foi vandalizada).
Redação PARADOXO BR ·
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